Desejo

Fanfic baseada na série "Arquivo-X", que se passa entre a oitava e nona temporada, quando Mulder está sumido e Scully se encontra grávida.

SINOPSE : Scully divaga em pensamentos com a falta da presença de Mulder.

As estrelas estão mais luminosas e a lua está mais leitosa do que nunca hoje. Fico pensando no que você diria se estivesse aqui. Você faz tanta falta Mulder. Sua ausência faz com que me senta tão vulnerável, que me assusta. Que saudade de suas teorias, de seu sorriso, e principalmente do seu companheirismo. O mundo não é o mesmo sem você, muito menos eu. Fico acordada durante horas pensando em que lugar você deve estar, e principalmente em "como" deve estar. A angústia me aperta o peito e me faz sofrer com a falta de sua presença. Só agora percebo o quando você é importante para mim. Só agora percebo o quanto você me completa. Você é a única pessoal em quem eu posso confiar totalmente, uma das únicas pessoas que me conhece bem, às vezes melhor do que eu mesma. Tantas coisas passadas juntos. Tantos anos compartilhando tantas emoções, muitas vezes além da imaginação humana.Sem você me sinto só. Na verdade não estou só, não tive tempo de lhe dizer que estou carregando uma vida dentro de mim. Penso em como você iria reagir quando lhe contasse. No que iria dizer. Mas essas são perguntas que por enquanto não tenho respostas. Apenas peço para que as consiga logo, urgentemente. Pois não estou agüentando a sua falta. Não estou suportando ter que ir trabalhar todo dia e saber que você não estará lá quando eu chegar.O agente Doggett está me ajudando a encontrar alguma pista que possa nos levar a você, além de estarmos trabalhando em alguns casos. Ele é uma excelente pessoa. Apesar de ser bastante reservado consigo perceber que ele é um bom homem e que está atrás da verdade. É engraçado, mas ele me faz lembrar de mim mesma quando nos conhecemos. Ele é tão céptico quanto eu era. Só que ele não presenciou o que eu já presenciei com você, por isso eu posso compreender o que ele sente quando exponho as minhas teorias malucas inspiradas em você. Agora eu percebo o que você sentia quando eu tentava lhe expor minhas teorias científicas. Parece que de certa forma eu acabei me tornando você, Mulder. Mas acredite, eu gostei da mudança, gostei muito. A cada dia que passa sinto o ser dentro de mim crescer cada vez mais. Como eu gostaria que você fosse o primeiro a ter tomado conhecimento, e como eu gostaria que você estivesse aqui, me acompanhando nessa nova fase da minha vida. Sem você essa minha nova fase não está completa. Está sendo muito difícil administrar essa situação sem você por perto. Sinto-me insegura, e totalmente perdida. Tudo bem que as pessoas estão me dando apoio, em especial o diretor assistente Skinner e Doggett, mas não é a mesma coisa sem você. Era você que eu queria que estivesse do meu lado, me ajudando e compartilhando desse momento. Se de repente você puder ler meus pensamentos, se puder captar minhas ondas cerebrais, tente se manifestar de alguma maneira. Tente me mandar uma mensagem. Mas, se não puder, então tente voltar Mulder. Tente de alguma forma escapar e voltar. Pois eu preciso de você, preciso que você volta para que minha vida volte a fazer sentido novamente.
FIM



Categoria: Carlos
Escrito por Carlos às 12h19
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Na janela

Não tinha maldade em si, apenas não conseguia entender. Os diálogos estavam ficando cada vez mais monótonos. Aquela sequência lógica de respostas industrializadas a irritava.
- Por quê??
- Não te interessa!
- Mas eu sou...
- Foda-se.
O tempo passava, e a cada dia sentia em si um rancor profundo, talvez pelos intermináveis anos de dedicação, quase sem resposta.
Pegou sua bolsa. Não botava os pés para fora de casa sem ela. Saiu. Não sabia para onde ir, sem rumo, sem sonhos.
Chovia. O ponto onde costumeiramente tomava o ônibus para trabalhar estava vazio, porém, cercado de água por todos os lados. Era o mais sutil retrato de sua vida. Vazia e isolada de todos. Não admitia que sua solidão era intencional. Ninguém a compreendia.
Deu sinal. Algumas poucas pessoas, vidros embaçados. Tentou imaginar se algum dos que ali estavam sofria como ela? Não sabia. Da janela, viu alguns poucos pedestres se aventurando em meio àquele caos. Pensou em descer. Em voltar. Deixar tudo tão fácil não era de sua índole. Correu até a porta. Sem pedir licença, quase tropeçou ao descer a escada. Não via nada. Não sentia nada. Não pensava nada. Apenas tinha de voltar. Ao tentar atravessar a rua, suas frágeis pernas a abandonaram.
Estava só. Desentendimentos fortuitos, dias vazios, tudo ficou para trás. Em seu último suspiro, resquícios de uma felicidade nunca vivida. Doces lembranças dos planos jamais concretizados.



Categoria: Egnaldo
Escrito por Egnaldo às 13h03
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Momento no café

- Ein kaffee, bitte. Assim começou sua manhã. Um café. Mais forte que si mesma. Mais doce que seu dia. Um café. Pela janela, observava atenta aqueles que andavam sem olhar para a frente. Dessa forma se encontrava. Não olhava para o que vinha adiante. Não tinha coragem.
- Um café, por favor. Precisava apagar as mágoas. Não tinha ressentimentos. Apenas vazio. Uma tragada e esqueçia. Quase a última. Não lembrava. Não sorria, como da última vez. Não amava como da última vez. Perdeu seu senso de autopiedade. Tentou mudar. Ainda havia resquícios de esperança naquele corpo frágil. Mal conseguia se sustentar. As pernas, já estafadas, davam sinais de cansaço. Voltar, jamais. Não queria. Melhor, não podia. Tinha plena consciência do que havia feito. O remorso ruía suas entranhas. Já tarde, a dor lhe trouxera esparsas reflexões sobre si mesma.
- Esperta. Apenas me usa. Reclusa. Meus dias não a tornam mais próxima, mas sim soberba. Não fumarei mais. Não. Apenas pensarei. Não sei por quê. Pensarei. Nos dias. Nas noites. Sei. Não vale mais a pena. Me entrego, com os escárnios infortúnios fortuitos. Fracassada. Ela, não eu. Não reconheço a mim mesma.
Ein Kaffee. Só assim apagaria o rancor. Amargo, por favor.



Categoria: Egnaldo
Escrito por Egnaldo às 13h01
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Os dias

Um dia ela acordou. Não sabia que seria assim. Após anos de sofrível lamento, deu-se conta de sua mediocridade. As paredes estavam sujas. A velha escada já não tinha o brilho de sua finada juventude. Olhou, não com desdém, mas o rancor dos acontecimentos a levou para tempos passados. Acordou. À sua volta, não mais estavam todos aqueles a quem amara um dia. Teve um súbito pavor logo que tomou ciência de sua solidão. As velhas lembranças já não mais a confortavam. Suas antigas fotografias, já amareladas pelo tempo, escarneciam as poucas esperanças que lhe restavam. Absorta, percebeu naquela fatídica manhã algo estranho. Não à sua volta, mas sim nela mesma. Não se reconheceu no espelho. Os olhos. O cabelo. Não era ela. Talvez a mera projeção de seus devaneios. Não tinha cabeça para pensar nisso. Voltou para a cama. Era um lugar seguro. Podia sonhar sem medo. Caso não a agradasse, bastava acordar.



Categoria: Egnaldo
Escrito por Egnaldo às 12h54
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17/07/2005 a 23/07/2005


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